nov 5, 2011
Eduardo Botelho

Inflamação

Toda vez que uma bactéria, substância química, calor, frio, trauma ou qualquer outro agente cause lesão num tecido do nosso corpo, ocorrerá uma resposta inflamatória. Mas vem a pergunta: o que é resposta inflamatória¿? Simples: é a manifestação dos mecanismos de defesa do nosso sistema imunológico.

Resposta inflamatória, inflamação ou flogose são nomes para a mesma coisa. Alguns gostam de falar flogose, por que nem todos conhecem este termo, passando a idéia de que “sabem muito!”.

Enfim, podemos identificar facilmente um processo inflamatório se conhecermos os seus 5 sinais clássicos: dor, rubor, calor, edema e perda da função.

Os sinais flogísticos (olha esse nome bonito!) são todos provenientes da resposta imunológica, sobretudo dos efeitos das citocinas. Para entender melhor esse mecanismo tem que dá uma lida no post sobre Sistema Imunológico. Veja por que cada um acontece e a sua importância.

O rubor (vermelhidão) ocorre devido à vasodilatação, provocada pelas citocinas liberadas no local. As citocinas (prostraglandinas, bradicinina) causam relaxamento do músculo liso dos vasos. Desta forma, permiti maior fluxo sanguíneo no local, facilitando a chegada de leucócitos. Maior quantidade de sangue num local, o deixa mais vermelhinho. Por isso que sua boca é mais vermelha que a pele.

O edema ou tumor acontece, também, em virtude da vasodilatação que aumenta a permeabilidade vascular e permite o extravasamento de líquido intravascular para o interstício. Lembre-se do conceito de edema: acúmulo de líquido do interstício.

O calor também é decorrente da vasodilatação. Com a vasodilatação há aumento do fluxo sanguíneo. Maior fluxo, mais sangue. E o sangue é quente. Ele aquece o local para agilizar a atuação das células imunológicas.

A dor é resposta da grande quantidade de citocinas. Os nociceptores (receptores nervosos de dor) captam as citocinas, especialmente prostraglandina, e enviam impulsos nervosos ao córtex cerebral, que interpreta a sensação de dor. Isso nos coloca em alerta, ao sabermos que existe uma lesão no corpo.

A perda da função é decorrente do edema e da recuperação tecidual, limitando a funcionalidade da estrutura inflamada. Este mecanismo é importante para evitar ainda mais dano ao local acometido.

Ao pensarmos em inflamação, pensamos logo na pele, como na imagem lá de cima. Mas a flogose pode ocorrer em todos os locais do corpo. Quando isto ocorre, ele recebe o famoso ite no final da palavra. Por exemplo, dermatite, faringite, rinosinusite, conjuntivite, glossite, mastite, miosite, osteomielite, piodermite, gastrite, enterite, colite, vasculite, cardite, entre outros (não vou falar todos aqui né?!).

Então vem a pergunta: como sei que existe uma inflamação urinária (pielonefrite, cistite), se eu não posso ver, com os olhos que Deus me deu, os sinais flogísticos no rim e na bexiga? Nestes locais, ocorrem todos os sinais inflamatórios (rubor, calor, edema, dor e perda da função), mas só detectamos inflamação nos órgãos internos através de exames e/ou por meio de sinais que o paciente expressa.

No caso do nosso aparelho urinário, sabemos que existe uma inflamação lá dentro, quando observamos piócitos (um nome diferente para leucócitos) no exame de urina. Lembre-se que os leucócitos são essenciais na resposta inflamatória.

Assim se aplica aos outros órgãos. Uma inflamação no pulmão pode ser detectada através da radiografia (infiltrados e condensações), no fígado, através das enzimas hepáticas (TGO e TGP) ou Ultrassonografia, e assim por diante.

Atenção! Em todos os processos inflamatórios, dois marcadores se elevam no organismo: VHS (Velocidade de Hemossedimentação) e PCR (Proteína C Reativa). Por isso são chamados de marcadores de atividade inflamatória. Você pode solicitar os níveis destes marcadores. São pouco específicos, ou seja, a gente não sabe onde que a flogose ta rolando, mas nos ajudam bastante.

As infecções sempre causam inflamação, exceto em pacientes imunodeprimidos (sistema imunológico lá em baixo). Nestes pacientes, suas células imunológicas não são funcionais, e portanto, não provocam nenhuma resposta.

Interessante! Se falar de inflamação, tem que falar de Pus! O pus nada mais é que macrófagos e neutrófilos mortos, juntamente com tecido morto (necrótico) e líquido. Toda esta mistura dá aspecto amarelado e mal-cheiroso à secreção. Lembre-se que estas células já fagocitaram o patógeno e morreram junto com ele, para que ele não destruisse ainda mais nosso tecido. Nem toda inflamação produz pus. Uma bactéria que gosta de fazer a gente produzir pus é o Staphylococcus pyogenes, dái o seu nome (pio = pus).

Agora que você já sabe o que é inflamação, como detectar e o que ela causa, por favor não confunda artralgia com artrite. Artralgia é dor na articulação (joelho, cotovelo, punho); Artrite é inflamação na articulação, portanto, possui todos os sinais inflamatórios, inclusive dor!

Muito bem. Espero ter contribuído. Abraços.

Uma Resposta

  • “tem que dá”? Ou ‘tem que dar’?
    Os sinais flogísticos (olha esse nome bonito!) são todos provenientes da resposta imunológica, sobretudo dos efeitos das citocinas. Para entender melhor esse mecanismo tem que dá uma lida no post sobre Sistema Imunológico. Veja por que cada um acontece e a sua importância.

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